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Carteira inova e contrata formador de mercado

 

Fundo Imobiliário: Bradesco será o responsável por fomentar a liquidez na bolsa das cotas do Presidente Vargas, ainda em processo de distribuição.
Por Alessandra Bellotto, de São Paulo
12/04/2010

 

O segmento de fundos imobiliários ganha o primeiro formador de mercado. Trata-se do Bradesco, contratado para fomentar a liquidez no mercado secundário das cotas do Presidente Vargas, cuja oferta pública ainda está em andamento e é coordenada por outra instituição do grupo, o Banco Bradesco BBI. O investidor que quiser participar da emissão tem até sexta-feira, dia 16, para formalizar o pedido de reserva.

Como foi estruturada, a operação já deve contribuir para a liquidez dos papéis. Serão emitidas 195 mil cotas, com valor unitário de R$ 1 mil. A aplicação mínima será de R$ 5 mil, valor baixo relativamente à oferta de R$ 195 milhões. Também, para a distribuição do fundo, além do próprio Bradesco - cujo esforço está concentrado no segmento private e em algumas agências selecionadas -, foram contratadas 45 corretoras de valores.

O formador de mercado, contudo, representa uma inovação para os fundos imobiliários. "Ao garantir uma porta de saída para os clientes, o Bradesco mostra que atento a todos os detalhes e o cuidado para entrar nesse mercado", afirma uma fonte do setor. Mais que isso. Como o formador de mercado atua nas pontas de compra e venda, ou seja, ele tem de ter dinheiro e cota do fundo, é possível ver mais investidores ingressando no mercado, acredita a fonte. "Muita gente que compra na oferta primária não quer se desfazer da cota, o que restringe a liquidez não por falta de comprador, mas de vendedor."

Outra vantagem do Presidente Vargas, segundo essa mesma fonte, é o fato de a oferta prever a listagem das cotas no Mega Bolsa, sistema eletrônico da BM&FBovespa que funciona continuamente, das 10h às 17h. Os fundos imobiliários também podem ser listados no mercado de balcão organizado da bolsa, só que em negociação não-contínua, de 10 minutos por dia. Dos 32 fundos listados na bolsa, 17 estão nesse segmento.

O consultor de investimentos Sérgio Belleza Filho, do site Fundo Imobiliário, é um crítico ferrenho da negociação não-contínua. Segundo destaca em seu site, esse ambiente é "antiquado" e "ineficiente", já que as cotas são negociadas num sistema chamado call de fechamento. Cada fundo tem um horário específico de fechamento, onde são aceitas ofertas de compra e venda durante 10 minutos. Ao final do período, as ofertas que se "encontrarem" são fechadas, num único preço. "Esse é mais um empecilho para a liquidez dos fundos imobiliários", diz.

A nova oferta é um marco também pelo tamanho e participação de um grande banco. Com foco no público de varejo, está entre as maiores, com volume de R$ 195 milhões. Já para o Bradesco, é a primeira grande operação em que aparece em todas as pontas - coordenação, administração e como formador de mercado -, depois de cerca de 15 anos fora desse mercado. Em 1995, o banco participou da colocação do fundo Panamby, mas era uma emissão voltada para fundos de pensão. No ano passado, ele liderou a oferta do RB Capital Renda I, ao lado de outra grande instituição, o Banco do Brasil.

Os recursos levantados serão destinados à aquisição dos edifícios Torre Boa Vista e Torre Vargas, ambos localizados na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio. Segundo projeções da BEM DTVM e do gestor imobiliário Latour Capital, com base nos contratos vigentes, o fundo deve entregar para o cotista um rendimento de cerca de 9,5% ao ano, atualizado pelo IGP-M.

O setor hoje reúne 86 fundos imobiliários, com patrimônio total de R$ 5,4 bilhões.