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Demanda por fundo é 3 vezes maior que oferta

 

Jornal Valor Econômico
Luciana Monteiro, de São Paulo.
14/01/2010

 

A demanda pelas novas cotas emitidas de um dos mais tradicionais fundos imobiliários do mercado, o Shopping Pátio Higienópolis, superou em três vezes a oferta. Foram emitidas 47.353 cotas, no valor de R$ 251,30 cada uma, totalizando a operação em R$ 11,900 milhões. O destaque ficou por conta dos investidores pessoas físicas, que abocanharam 79,22% da oferta, o que representou 37.515 cotas.

A emissão foi dividida em duas fases: direito de preferência daqueles que aplicavam na carteira e leilão das sobras. Em dezembro, entre os dias 1º e 21, os investidores que já tinham cotas do fundo puderam exercer o direito de preferência na compra das cotas na mesma proporção de sua participação. Nessa parte da operação, foram subscritas 38.607 cotas. Dos 636 aplicadores do fundo, 404 compraram cotas. Isso totalizou R$ 9,702 milhões.

Na segunda, realizada no início deste mês, foram a leilão 8.746 cotas, o que representava 18,47% da oferta. O leilão começou com o valor mínimo por cota da emissão (R$ 251,30) e foi encerrado no valor de R$ 302,01 por cota, resultando num total de R$ 2,641 milhões. Nessa parte, 31 investidores pessoas físicas adquiriram cotas no leilão. Com isso, levando-se em conta as duas fases, a Rio Bravo, administradora da carteira, captou R$ 12,343 milhões.

A emissão de cotas foi feita com objetivo de arcar com os custos da expansão do shopping e não diluir o fundo na sua participação de 25% do condomínio. Os investidores pessoa jurídica subscreveram 1.092 cotas, representando 2,31% da operação.

Lançado em dezembro de 1999, esta foi a sexta emissão de cotas do fundo Pátio Higienópolis. Desde que foi criada, a carteira acumula rentabilidade de 994,99% até dezembro do ano passado, o que significa um retorno médio ao ano de 27,04%. Somente no ano passado, o ganho foi de 39,28%.

Os fundos imobiliários vivem um momento para lá de especial. A forte procura por parte dos investidores tem feito com que essas aplicações comecem a ganhar volume, depois de 15 anos desde a sua criação. A taxa de juros em níveis historicamente baixos têm levado muitos investidores a buscar alternativas mais rentáveis em relação à renda fixa tradicional.

A isenção de imposto de renda (IR) sobre o rendimento das cotas para a pessoa física deixa as aplicações ainda mais interessantes neste momento. Isso porque outras aplicações de renda fixa podem pagar até 22,5% de imposto. A isenção só vale, entretanto, se o investidor não tiver mais de 10% do patrimônio total do fundo.

Os fundos imobiliários são uma forma de o investidor aplicar em imóveis, sem a obrigação de ter de administrar os bens. Além disso, o aplicador pode se tornar sócio de grandes empreendimentos com valores reduzidos. Vale lembrar que, apesar de o lastro do investimento ser em imóveis, esses fundos são considerados aplicações de renda variável. Isso porque essas carteiras têm dois componentes de ganhos: a variação das cotas e o rendimento distribuído originado de receitas de aluguel.

Outra característica importante é que esses fundos são fechados, ou seja, não há resgate das cotas. Se o investidor quiser deixar a aplicação, ele deve vender suas cotas a terceiros no mercado secundário, como no caso das ações de companhias abertas, por exemplo. Apesar de o volume em carteiras imobiliárias estar crescendo, ele ainda é pequeno, e a falta de liquidez no mercado secundário é o principal entrave para que esses fundos deslanchem ainda mais.