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Saiba como aplicar nos fundos imobiliários

 
Interessante para quem tem visão de longo prazo e quer investir
no mercado imobiliário, a procura por Fundos de Investimento
Imobiliários (FII) vem crescendo

Artumira Dutra.
Redação O POVO - 26/07/2010
 



Melhor que comprar salas comerciais para alugar ou outro tipo de imóvel pode ser investir nos Fundos de Investimento Imobiliários (FII). O FII oferece a possibilidade de aplicar em imóveis sem arcar diretamente com os custos próprios desse tipo de investimento como escritura e Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), além de evitar preocupações com a possibilidade de uma inadimplência.

O investidor José Olívio Martins Ramalho, por exemplo, não tem nenhuma dúvida, de que é melhor comprar quotas de um FII do que sair por aí comprando terrenos ou imóveis para alugar. Considera ainda que se precisar vender é muito mais fácil. “O que falta é vendedor, não comprador desses fundos”, comenta.

Ele indica os FIIs para pessoas conservadoras que gostam de investir em imóveis. Adianta que o melhor momento de comprar são nos lançamentos dos fundos (vendas de quotas) quando as condições são mais vantajosas. A outra forma é se cadastrar numa corretora especializada e comprar no mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

O diretor da Petra Corretora, Delano Macêdo Vasconcellos, que trabalha para disseminar essa cultura de fundos ainda pouco conhecida pela maioria das pessoas, destaca que o mercado de fundos imobiliários pode dobrar 2010. “Estima-se que as fundações devem aplicar nesse setor entre R$ 3 bilhões e 4 bilhões”, afirma Vasconcellos.

Passos

O primeiro passo para entrar nesse mercado é procurar uma instituição financeira (corretora) integrante do Sistema de Distribuição de Valores Mobiliários. O especialista e consultor Sérgio Belezza Filho diz que a liquidez desses papéis está cada vez melhor e adquiri-los é um bom negócio. Negociados em bolsa, estes fundos podem alcançar rentabilidade de mais de 1% ao mês. E ficam livres de imposto de renda, caso o investidor tenha menos de 10% das cotas do fundo. Hoje existem 37 opções sendo negociadas na Bovespa.

Quem também investe nos fundos imobiliários é o executivo Rodrigo Freire. Ele conta que o produto está dando uma rentabilidade líquida razoável, em torno de 0,75% ao mês, porque é isento de IR para pequenos investidores. “A rentabilidade é menor no que a de um imóvel mas a liquidez é maior, além de ter a vantagem da valorização da cota”, conclui, ressaltando que é melhor que Poupança.

E MAIS

Fundo de Investimento Imobiliário (FII) é uma aplicação lastreada em imóveis, com rendimento proveniente de aluguéis. À semelhança dos fundos de ações, renda fixa, derivativos, os FIIs são regulados, fiscalizados e têm seu funcionamento autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por se tratar de captação de recursos do público para investimento

Um fundo imobiliário é parecido com uma empresa de capital aberto, com seus acionistas, aumentos de capital, assembleias, entre outros.

Os rendimentos distribuídos mensalmente aos cotistas pessoas físicas dos FII são isentos de Imposto de Renda, desde que o fundo possua pelo menos 50 cotistas e cada um não detenha mais de 10% da totalidade de quotas emitidas pelo fundo.

Mais informações nos sites www.fundoimobiliario.com.br, www.bovespa.com.br e www.cvm.gov.br.

LEGISLAÇÃO

A Instrução Normativa RFB no. 1.022, de 5 de abril de 2010: http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/Ins/2010/in10222010.htm, diz que para que haja isenção do IR nos Fundos Imobiliários os mesmos têm que ser negociados em bolsas de valores ou no mercado de balcão organizado


Risco maior para compra de imóvel

26/07/2010 02:00

Em Fortaleza, Filipe Cunha Ferreira, da BR Trust, agente de investimento da Petra Corretora, diz que o bom resultado da aplicação está vinculado ao sucesso do imóvel. “É menos arriscado que comprar um imóvel para alugar”, comenta, ressaltando que o investimento é pouco utilizado por causa do desconhecimento, mas a procura vem crescendo. Como exemplo bem sucedido ele cita o Fundo Europar, que reune um conjunto de galpões alugados em São Paulo. A quota hoje custa R$ 182 - rendimento de 1,36 por cota/mês - e se a pessoa tem dez mil quotas pode receber R$ 1.360/mês só de dividendos.

Observa ainda que hoje na Capital o aluguel de uma sala de 50 metros quadrados, em média, na Aldeota, gira em torno de R$ 200 mil e se fosse alugar - cerca de 0,5% do valor do imóvel - receberia R$ 1.000. Ferreira cita também o exemplo do Shopping Dom Pedro, em Campinas (SP),que vendeu o FII com 15% do empreendimento para realizar uma expansão futura. “A quota era de R$ 1.000 com reserva mínima de dez quotas e hoje a cota valorizou 16%”, comenta, destacando que a aplicação deu um retorno de mais de 20% em sete meses. Acrescenta que além disso o investidor desse fundo tem rendimento de 0,83% - R$ 8,30/mês - por quota.

O economista José Maria Porto considera que o FII é interessante para quem dispõe de pouco dinheiro. “Com R$ 20 mil a pessoa compra quotas do fundo e de acordo com a rentabilidade pode ser melhor do que comprar e alugar”, comenta. (AD)