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As próximas ofertas de cotas de fundos imobiliários

 

Mariana Segala 
Brasil Econômico
31/12/2009

 

As ofertas de cotas de fundos imobiliários - que, em geral, investem em imóveis físicos para ganhar com a renda proporcionada pelos aluguéis - cresceram fortemente neste ano e, na visão dos especialistas, tendem a ser ainda mais fartas em 2010.

Em 2009, as operações registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), somadas às dispensadas de registro, totalizaram R$ 3,4 bilhões, cinco vezes mais que os R$ 617 milhões do ano passado. E estão em análise na autarquia novas ofertas que somam R$ 445 milhões.
"Acredito que sairão muitas operações novas. Grandes bancos, como já fizeram este ano, vão querer participar da distribuição", diz o consultor Sérgio Belleza, especializado em fundos imobiliários. Ao pequeno investidor, resta se preparar para esta oferta.
Neste ano, os investidores de varejo já se mostraram propensos a diversificar o portfólio com os fundos imobiliários. A participação deles foi massiva nas últimas três ofertas já encerradas - ficaram com mais de 90% do total de R$ 270 milhões em cotas dos fundos Anhanguera Educacional, RB Capital Renda I e Parque Dom Pedro Shopping Center.
Após as ofertas - ou distribuição primária - esses fundos imobiliários passarão a ter as cotas negociadas na BM&FBovespa - o chamado mercado secundário. Mesmo quem não participou das operações iniciais, portanto, tem a possibilidade de adquiri-los diretamente no pregão da bolsa.
Os especialistas, no entanto, lembram do comportamento histórico. "Os fundos imobiliários têm saído com um certo desconto frente aos preços das cotas negociadas no mercado secundário", afirma o sócio da empresa de informações financeiras Uqbar, Pedro Junqueira.
Significa dizer que, normalmente, é mais caro deixar para adquirir os fundos depois que já passaram a ser negociados no pregão, o que torna menos atrativa a rentabilidade proporcionada pelos aluguéis. Isso porque, em geral, a renda dos aluguéis mantém-se constante ao longo do tempo.

Valorização das cotas
Segundo levantamento da Uqbar com os fundos imobiliários negociados na bolsa, verificou-se alta de até quase 60% nos 12 meses até novembro.
Os destaques foram os fundos Hospital da Criança, BB Progressivo, Torre Almirante e Rio Bravo Renda Corporativa. Todos tiveram valorização superior a 40%. O período de maior alta foi de agosto ao início de setembro, quando praticamente não houve novas ofertas, o que fez o apetite dos investidores se direcionar para os fundos já no mercado.
"Chegamos a ver fundos com as cotas tão caras que deixavam o rendimento dos aluguéis abaixo do retorno da poupança", afirma Junqueira. O retorno mensal do fundo Hospital da Criança, por exemplo, que chegou a ser de mais de 1% ao fim do ano passado, em outubro era de 0,76% em função da valorização das cotas.
Não é possível afirmar que o mesmo vá acontecer daqui por diante, já que várias ofertas foram realizadas simultaneamente.
"A tendência sempre foi de, no mercado secundário, as cotas ficarem mais caras que no lançamento, mas essa é a primeira vez que tivemos tanta captação via ofertas ao mesmo tempo", destaca Belleza. "É uma situação inusitada que suga dinheiro do mercado."